Exercícios físicos para asma – Estudo comprova benefícios

Sofre com asma ou algum tipo de doença pulmonar? Confira exercícios físicos para asma. Então temos boas notícias para melhorar um pouco. Recente estudo comprova os benefícios da atividade física para doença pulmonar. De acordo com a pesquisa, atividades aeróbicas ajudam a diminuir a intensidade da inflamação da asma. Além disso, também ajuda a diminuir a progressão da lesão dos pulmões na doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).

Exercícios físicos para asma – Estudo comprova benefícios

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A importância dos exercícios aeróbicos para o tratamento, diminuindo a infecção associada à asma

A conclusão do estudo realizado  pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), é de grande importância e relevância para quem sofre com algum tipo de doença pulmonal. Durante o estudo, foi pesquisado pela primeira vez “Efeitos do ambiente e do estilo de vida sobre a asma e a doença pulmonar obstrutiva crônica: estudos experimentais e clínicos.”. O estudo foi coordenado por Milton de Arruda Martins, que é professor titular de Clínica Médica Geral da faculdade. Além dele, o projeto também contou com o apoio da FAPESP

“Reunimos um grande número de pesquisadores, o que possibilitou realizar tanto pesquisas de laboratório com modelos animais quanto pesquisas clínicas com humanos. Foi, como costuma ser dito, um estudo da bancada para a beira do leito”, informou Martins à Agência FAPESP.

Caracterizada pela inflamação dos brônquios, a asma pode resultar de vários fatores, tais como: genética, ambientais e psicológicos. A doença pulmonar obstrutiva crônica também é responsável pela inflamação. Porém, ao contrário da asma, surge apenas na vida adulta. O fator principal que pode desencadear essa segunda doença é o tabagismo.

“Nosso projeto procurou enfocar a asma e a DPOC no mundo real. Isto é, considerando os efeitos do tabagismo, da poluição atmosférica e da atividade física – três fatores ligados ao estilo de vida. Demonstramos que o exercício aeróbico atenua ou reverte a inflamação provocada pelo quadro asmático; desacelera a progressão da DPOC, mesmo em tabagistas; e protege contra infecções”, afirmou o pesquisador.

A ideia do estudo surgiu a partir de um dado no qual dizia que o fumante que prática exercícios evolui melhor do que um fumante sedentário. A pesquisa teve um desdobramento com quatro estudos principais. Afinal, quais são os benefícios dos exercícios físicos para asma?

“Nossa contribuição pioneira, neste caso, foi desenvolver um modelo animal com camundongos. Parte deles foi condicionada a fazer atividade física aeróbica em esteira, 50 minutos por dia, cinco dias por semana, durante dois meses. E parte foi levada a inalar fumaça de cigarro, em uma câmara especial. Selecionamos, então, quatro grupos de animais, contemplando as quatro combinações possíveis: os que não fumavam nem faziam atividade física; os que fumavam e eram sedentários; os que fumavam e praticavam atividade física; e os que não fumavam e faziam atividade física”, detalhou Martins. O estudo prolongou por seis meses.

“Constatamos que todos os animais expostos à fumaça do cigarro desenvolveram enfisema pulmonar evidente. Mas aqueles que, embora ‘fumantes’, fizeram atividade física tiveram uma atenuação muito importante no desenvolvimento do enfisema”, informou o pesquisador.

O segundo estudo focou na asma e os benefícios do exercício físico. Parecido com o estudo anterior, foi utilizado a experimentação com camundongos, nos quais parte deles teve asma induzida por aerossol de ovo-albumina, parte deles praticaram exercícios. Nesse segundo estudo, foram selecionados quatro grupos de camundongos: com asma e sedentário; com asma e ativo; sem asma e sedentário; sem asma e praticante de exercício.

“Verificamos que os camundongos treinados desenvolveram inflamação pulmonar menos intensa do que os não treinados. E que os animais que começaram a treinar depois de induzida a asma tiveram revertidas muitas das alterações provocadas pelo quadro asmático. Portanto, existe um efeito tanto preventivo quanto retroativo do exercício”, resumiu Martins.

Já o terceiro estudo, liderado pelo professor de Fisioterapia Respiratório na FMUSP, teve como objetivo investigar o efeito protetor do exercício aeróbico contra a asma em humanos.

Voluntários foram sorteados para participar do estudo. Portadores de asma moderada a grave participaram da pesquisa. Sempre com supervisão médica e com o acompanhamento de educadores físicos e fisioterapeutas, uma parte dos voluntários fez treinamento aeróbico na esteira, com o uso do aumento de carga, etc.

Já o outro grupo de voluntários, fez exercícios de alongamento e relaxamento, sem nada de atividades aeróbicas.

“Comparando os dois grupos, verificamos que aquele que fez atividade aeróbica apresentou melhor qualidade de vida, com menos crises, e melhoria efetiva da inflamação pulmonar. Para avaliar a inflamação, utilizamos duas estratégias não invasivas: a medição da concentração de óxido nítrico no ar exalado e a medição da quantidade de eosinófilos no escarro induzido. Os dois marcadores diminuíram nos portadores de asma que passaram por treino aeróbico. E não diminuíram nos que só fizeram exercícios de alongamento”, descreveu Martins.

Melhora da qualidade de vida

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De acordo com o estudo, a atividade aeróbia não age apenas melhorando a qualidade de vida, mas também exerce papel fundamental para o tratamento, ajudando a diminuir a inflamação associada à asma. Porém, é óbvio que esse tipo de pesquisa só pode ser realizado no asmático compensado por medicamento, porque o asmático que está descompensado tem crises de asmas durante o exercício.

 

“Ou seja, verificamos que o efeito não se dá apenas no pulmão. É sistêmico. E, em princípio, pode ser alcançado por qualquer atividade aeróbica (caminhada, corrida, natação, ciclismo etc.), desde que esta atinja o nível considerado moderado. De acordo com a Sociedade Americana de Medicina Esportiva, o nível moderado é atingido quando o indivíduo passa a suar, experimenta uma elevação do batimento cardíaco, mas ainda não fica ofegante, conseguindo conversar normalmente com outra pessoa”, comentou Martins.

Os benefícios são notórios, mas caso a pessoa pare de praticar atividades a condição anterior volta depois de alguns meses. Portanto, a prática de exercícios aeróbicos precisa estar na rotina.

“O experimento mostrou que a pneumonia foi muito menos intensa no grupo de animais condicionados – tanto pelas alterações inflamatórias verificadas quanto pelo número de bactérias isoladas nos pulmões”, concluiu o pesquisador.

Fonte: USP

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